je est un autre
para ver mais desenhos da simone:
http://www.flickr.com/photos/simonebarreto/
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em yuri firmeza,
Frame de vídeo de Souzousareta Geijutsuka
31.01.2006 Invasão Yuri Firmeza ou Souzosareta Geijutska é o artista convidado de janeiro para participar do projetoArtista Invasor do Museu de Arte Contemporânea do Ceará. Yuri criou um artista japonês falso, chamado Souzosareta Geijutska, e o fato de que ele iria expôr no MAC CE, em sua quarta vinda ao Brasil. O evento foi amplamente divulgado pela imprensa. No dia seguinte, veio a informação de que Souzosareta não existia, que era uma invenção de Yuri Firmeza, artista cearense, de 23 anos. A intervenção do artista, que queria chamar para uma reflexão sobre os critérios para o reconhecimento da arte nos dias de hoje, criou um grande debate na imprensa nacional. Todos os textos podem ser acessados a partir do site do MAC CE. No Museu, até o dia 19 de março, o visitante poderá ver e-mails trocados entre Firmeza e um amigo sociólogo sobre a criação de um artista inventado. O MAC-CE se localiza na Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema, Fortaleza. |
em eduardo verderame,
EXPO PORTA RETRATOS
Eduardo Verderame, David Magila, Rafael Campos Rocha
Luisa Doria, Fabio Cruz, Carlos Issa, Rafael Coutinho,
Miriam Lust, Rita Vidal,
Pirata, Oga, Manuela Eichner,
Caio Medeiros, Marina Pontieri, Valentina Aires,
Flora Rebollo
r. ministro ferreira alves, 48 (continuação da bartira)
3673 9599
em danilo bueno,
Somos os poetas de Deus
Somos os poetas do povo
Somos os poetas da crítica
Somos os poetas doutrinários
Somos os poetas eruditos
Somos os poetas modernos
Somos os poetas da tecnologia
Somos os poetas pós-utópicos
Somos os poetas dos estilos históricos
Somos os poetas do real
Somos os poetas da ideologia
Somos os poetas de fim de semana
Somos os poetas canônicos
Somos os poetas de carreira e de gabinete
Somos os poetas das revistas eletrônicas
Somos os poetas sem qualidades
Somos os poetas municipais
Somos os poetas das minorias
Somos os poetas engajados
Somos os poetas das mansardas
Somos os poetas tradutores
Somos os poetas acadêmicos
Somos os poetas malditos
Somos os poetas blogueiros
Somos os poetas dos poetas
Somos os poetas das capelinhas
Somos os poetas contemporâneos
Somos os poetas épicos
Somos os poetas portugueses
Somos os poetas desclassificados
Somos os poetas celebérrimos
Somos os poetas acionistas
Somos os poetas visuais
Somos os poetas da tropicália e do samba
Somos os poetas da poeticidade
Somos os poetas dos galardões e do júri
Somos os poetas do corpo do amor da síncope
Somos os poetas da obra diamantina
Somos os poetas dos banheiros públicos
Somos os poetas visionários
Somos os poetas cosmopolitas
Somos os poetas inéditos
Somos os poetas e seus epitáfios
D'ailleurs, c'est toujours les autres qui meurent
E o mortos e os semivivos e os que logo irão morrer
em flora assumpção,
1o.) um dia na vida
'floooóraaa... [ela diz meu nome cantado]. eu páro um ônibus e não subo. pego o de trás em sua companhia. ela está elegante com seus imensos óculos verdes e leve como sempre. divertida. sagaz.
levanto a cabeça e encontro seu olhar, como o de um ulisses muito pálido, a me olhar. o tempo de fumar um cigarro. um convite para sexta à noite. o sorriso volta a meus olhos cansados.
ele vem caminhando em minha direção e a caminho de nossa casa antiga. largos sorrisos e abraço longo. o tempo de um outro cigarro. e nos vemos após o almoço desta sexta. o sorriso fica nos meus lábios.
livro fechado na mão e corrida pequena para o trem. num quase reflexo a escolha por um vagão me traz você, que eu não vislumbrava há 10 meses, já em pé de fronte a mim. seis estações e descemos. para mim ainda um outro vagão de tantos outros deste dia e para você o céu com todas as nuvens.
e depois agora o que me vem?
um desencontro sem ver navios. quatro encontros fortuitos. um dia como hoje é difícil não crer no destino ou no acaso.
2o.) As águas azuis
primeiro eu nado até a respiração no meio líquido ser o natural para meus pulmões.
daí eu nado até as borbulhas do meu expirar estalarem em meus tímpanos como o som de conchas em corais e porcelana fria.
então eu nado até a fadiga em meus músculos confundir o sopro do vento na água com a correnteza do rio e a força do mar.
por fim eu nado até o cinza fechar o céu e o intenso azul só existir submerso e longínquo. inatingível. etéreo. e até a superfície da água tremular com a primeira chuva que cai.
3o.) Sobre uns dias no mar
o dia se vai cai some é engolido no mar
pelo mar
meus olhos aprendem apreendem desenham ganham espaço: aqui a velocidade é outra
o tempo perdido entre as ondas: o tempo entre as ondas
viver é entre as ondas
é aqui que você vive.
o dia nasce entre as ondas
e eu permaneço ainda aqui
o sal é nos olhos.
no mar o centro do abdômem é outro
o giro dos ombros
a força do quadril
o porquê da perna
águas profundas de dança
o tempo da dança é outro
o balanço é do mar
a capoeira é no mar
a ginga da água é o mar
no mar o tempo é outro
no mar o som é espaço
o espaço é som e tempo
o mar
o sal é dos olhos.
['você sempre vai me encontar nas aguas do matadeiro e na ilha.'
'eu vou estar sempre aqui na armação.'
'marinheiro marinheiro
quem te ensinou a navegar
foi o tombo do navio
foi o balanço do mar']
-------------------------
pálpebras amolecidas de sol
cílios ferventes descobrem cores adulteradas ofuscadas
corpo lasso d'água curtido de sol vertendo sal
vento sonoro soprando surdo em águas caudalosas
-------------------------
eu quero passar. eu não quero ficar.
o mar. o mar. o mar. o mar. o mar. o mar. passou. já era. se foi.
4o.) Sobre a nossa terra casa
a solidão é só daqueles que você ama.
um relicário imenso. um relicário deste amor.
o som seco das gotas nas folhas das bananeiras molha o ar fresco na penumbra do dia que finda e na penunbra do céu brusco.
a água da chuva olha molha tudo que olha molha
não há onde sentar.
eu me descanso de cócoras.
eu queria poder desaparecer na penumbra da mata pra poder guardar este momento pra sempre e não haver mais nada.
daí eu ouço uma voz cantando como a sua e eu vejo um vulto se aproximando ao longe e ele se parece com você.
e minhas pernas e pés adormecidos e agulhantes somados à escuridão e ao chuvisco me mandam de volta pra nossa casa de encontro a sua voz.
eu calcei suas enormes e desajeitadas botas de borracha preta, meu irmão
e caminhei por nossa terra agora em charco pelas chuvas
escutei o rosnado feroz do girar das asas do beija-flor veloz
aprendi o som do sopro que chama por grandes borboletas azuis
guardada pela abóbada de rendada folhagem verde de formigas e picões contra a névoa macia do céu brusco
vi os líquens-borboletas me rodearem planando leve
eu quis ver de perto as águas do córrego correrem fugirem no seu murmurio opulento
no seu silêncio eu ouço as gotas d'água caírem no solo e nas folhas
eu fui vencida pelo afundar do solo pantanoso
mas eu trago a você, minha bela irmã, as flores-garças que alcancei mais longe
[lírios-garças são os meus preferidos]
seu perfume me inunda com sua beleza.
e me conforta [quando estou longe daqui]
eu vi no solo os frutos apodrecidos pela umidade e o vigor abundante das plantas
eu senti a agulha inesperada do espinho mergulhar em meus dedos
e escutei o silêncio do farfalhar das águas invadido por duas violas solitárias melodias
em renan nuernberger,
HORÁRIO DE VERÃO
lembrança de uma tarde em Recife
os prédios e pontes
escondem
o ocaso,
recife ante estrelas
(ainda entre-ocultas)
a lua
/ como baleia ou
navio pegando fogo
na costa-horizonte do
oceano (oceano, no atlas,
atlântico)
convida à explosão
de cores
– laranja bronze ouro –
e ao delírio de não-ser
(talvez seja o álcool!)
mais nada além do sol
sossego, sossego, sossego
– brisa /
a lua,
fora de
seu tempo, queima-se
: eu-sôfrego?
em victor da rosa,
luz fraca na boca
e branco, tudo
muito branco: os objetos,
a cortina, o céu, as mãos brancas
esticavam a saliva
- nunca estive tão perto, espere -
agulha mole na pele mas --- nenhuma dor
a pele morre aguda após
a primeira pergunta: nós dois
vamos para o céu quando acabar tudo isso?
quando me perco em uma cidade estrangeira
e olho para o mapa que é também uma cidade
inteira no bolso da calça
é como se a imagem do instante em que me perco
ficasse presa para sempre no papel
em ana rüsche,
a canção do limpa-vidros
eu, um peixe de aquário, gordo,
consumindo o que surge dessas águas turvas.
os passantes lá embaixo como polvos de patins,
uma menina com um buraco-negro a tira-colo e
chicletes.
ao lado dos jornais de internet,
meus cactos morrem em sua compulsão por água.
os ursos polares serão extintos pelas geladeiras.
na austrália, baleias se suicidam na areia.
continuo consumindo qualquer coisa que brilhe um pouco,
eu, um peixe a apodrecer gordo nessas águas sujas
(lá do antigo peixe de aquário:
http://peixedeaquario.blogspot.com/2006/05/cano-do-limpa-vidros.html)
eu, um peixe de aquário, gordo,
consumindo o que surge dessas águas turvas.
os passantes lá embaixo como polvos de patins,
uma menina com um buraco-negro a tira-colo e
chicletes.
ao lado dos jornais de internet,
meus cactos morrem em sua compulsão por água.
os ursos polares serão extintos pelas geladeiras.
na austrália, baleias se suicidam na areia.
continuo consumindo qualquer coisa que brilhe um pouco,
eu, um peixe a apodrecer gordo nessas águas sujas
(lá do antigo peixe de aquário:
http://peixedeaquario.blogspot.com/2006/05/cano-do-limpa-vidros.html)
em andréa catrópa,
Elaborações Oníricas
o tigre era
o inesperado que veio
me devorar
o menino convulso estava associado
à doença
que vi incrustada
em seu olho
eu era eu (quando
me agachei de medo e por culpa
percebi que não há
aquela outra)
(in: Mergulho às avessas, Lumme, 2008.)
Mais informações: http://www.lummeeditor.com/
em roberta ferraz,
Selo
Álamos brancos
Visto-os sobre a pele molhada
Enrolo nos cabelos
Tachos das figueiras e seus galhos
Seguram a vastidão
A tarde ficou fechada
Morta eu selo minha substituta
Onde reencontro
Uma luz de ouro fria
Pousa sobre o corpo recomposto
O amarelado sopro aquieta
O redor
Há o somente de uns pássaros
Já distância, piando
À transformada
Solar desço ao serviço
O bosque assemelha
A face de minha aparição
Eu
acompanho as lobas
e as esfinges
aplacadas
Eu retomo
o meu segredo
(in: Lacrimatórios, Enócoas, Oficina Raquel, 2009.)
Mais informações: http://www.oficinaraquel.com/roberta.html
em júlia de carvalho hansen,
Eu sou o rio dos mortos
dos meus parentes mortos
e os meus mortos são o mundo inteiro
eu sou o rio dos mortos
nasci da sede pelo dó das lágrimas
quando mortos todos os pensamentos
eu sou o rio dos mortos
me criei no pântano das palavras
dos restos tudo trago
eu sou o rio dos mortos
minha carne é das nuvens
se fujo só dou em mim
eu sou o rio dos mortos
e o meu choro o que devolve à terra
o chão do sal da terra o chão
eu sou o rio dos mortos
minha margem de árvores
dos astecas que me sangraram
eu sou o rio dos mortos
da terra não passo
e ninguém me ultrapassa sem desvão.
(in: Cantos de estima, Selo de estimas e grama, 2009. )
Mais informações: http://12exemplares.blogspot.com/
em ananda zíngano kuhn,

"esta imagem são meus EUs espontâneos expressos pelo olhar, são fotos que fiz com minha webcam há alguns anos e que transformei em pequenos adesivos. comecei colando vários pela cidade, em lugares que me identifico, que fazem parte de minha vida, e registrando... como passei a dar estes adesivos para amigos que viviam me pedindo, incorporei esta idéia à vida deles: todos que agora recebem o adesivo devem afixá-lo em algum lugar, fotografá-lo no contexto e depois me mandar."
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